quinta-feira, 26 de março de 2009
2ª aula - 26/03/2009
No início da aula, estava sendo feito um trabalho com os pés. Primeiro a massagem sobre um dos pés e com as mãos somente. Amassar como massa de pão; em seguida, percorrer as articulações com leve pressão - tarsos, metatarsos; pressionar os "buracos" (rs); folgar e separar os dedos; depois atenção ao calcanho; e, por último, vibrando com o indicador no tendão de aquiles. Ao final disso com um pé, foi pedido segurar o joelho e deixar o pé pendendo e então aproximá-lo do chão, sem movimentar o pé, para ver o que toca o chão primeiro. Notei que o meu tocou primeiro com a "barriga", essa almofada abaixo dos dedos. O ideal, com o pé totalmente relaxado, seria tocar primeiro com os dedos. Acho que cheguei perto. Antes de partir para o outro pé, a professora pediu para que andássemos um pouco para sentir como estava o corpo e o pé massageado com relação ao outro. Mesmo eu tendo chegado atrasado e pegando a coisa pela metade, já deu pra sentir a diferença. A aderência do pé massageado ao chão era muito maior. Além de ele estar, obviamente, mais aquecido e "disposto ao trabalho", acordado, digamos assim.
Em algum momento, no início da aula, Soraia falou em algo parecido com "idiocinética"... O que eu achei mais perto disso, foi o sentido para Ideocinese, que segue:
A raiz grega dessa palavra significa "idéia" e "movimento". Ideocinese descreve o processo por meio do qual uma idéia é executada em movimento, sem que o doador tenha consciência dos meios. Ele precisa apenas ter uma imagem mental do movimento, e o sistema nervoso recruta todos os músculos corretos para executá-lo da maneira mais frugal. Uma outra forma de colocar esse princípio seria, "Através da visualização o movimento toma forma enquanto você faz A Dança Curativa".
*fonte: http://aquaticwritings.tripod.com/ph_mecanicadocorpo.htm
A segunda e mais longa etapa desta aula foi o exercício relacionado ao alinhamento da coluna, com as bolinhas de vinil. Consistia em deitar com a barriga para cima, pernas estiradas, braços ao longo do corpo, com as palmas para cima, tudo o mais relaxado possível e, sempre, com atenção à respiração. Primeiro foi "permitido" uma espreguiçada geral! Ah! Lembrei que durante a massagem dos pés, Soraia bocejava bastante e nos incentivava a fazê-lo também. Apesar de eu ainda estar meio sonolento, não consegui fazer, só uma vez. Engraçado que agora, só de escrever a respeito, me deu vontade e bocejei (rs). Ok, depois da espreguiçada, acho que começamos a atividade, já com as bolinhas. Ela falou antes sobre as etapas da respiração: 1) inspiração; 2) pausa; 3) expiração; 4) pausa... num ciclo (olha a fluência começando a aparecer aqui). Deveríamos posicionar a bolinha sobre a cabeça, deixando que ela pesasse sobre a bola, fazendo pressão, mesmo que fosse um pouco incômodo. Aí devíamos inspirar, e soltar o ar emitindo um som, de uma vogal, continuamente até o ar terminar. Enquanto isso, deveríamos acompanhar a vibração no corpo, durante aquela respiração. Durante a pausa, troca a bolinha de lugar, descendo para a nuca. As vogais deveriam ir mudando. Da nuca descendo para as demais vértebras cervicais, depois dorsais, lombares, sacrais, até chegarmos ao cóccix.
Alguns colegas relataram desconforto, até dores. Eu não senti isso. Senti um pouco de torpor. Tive um pouco de dificuldade para me concentrar, quando ela pediu para deixarmos qualquer coisa alheia àquele momento que passasse pela mente fluir para o solo, ir embora. Tive uns 2 ou 3 momentos de ausência, principalmente no momento parado, antes da bolinha, mas foi bom. Ao final, eu tive uma sensação de ACORDADO, intensa. Os sentidos pareciam aguçados, as cores, os sons, as sensações da pele. Pude perceber, como um colega falou, que o corpo estava mais quente. O fato de termos pensado em cada parte do corpo, de certa forma, deve ativar mais ainda a circulação sanguínea, entre outras atividades fluídicas e/ou energéticas que acontecem por ali (ou aqui).
Soraia disse que devemos repetir esse exercício em outras aulas, porém de forma reduzida. Preciso adquirir logo a bolinha para poder fazer em casa, eventualmente. Pode ajudar-me bastante com a coluna, além de me ajudar a descobrir algo mais nessas sensações aguçadas. Com música, pode ser bem gostoso também.
A última etapa da aula foi já com criação de mini-solos. A professora distribuiu imagens de obras da artista plástica brasiliense Joana Limongi e pediu para analisarmos. Para mim, caiu "Terra e Céu". O trabalho dela parece que é de pintura feita sobre fotografias. E a minha parecia ser a fotografia de uma estrada longa e vazia, com verde a rochas de um lado e do outro e o imenso céu. Ela pintou o céu com diversas cores, ao invés de só azul; e a estrada, de verde...
(Eita! Acabei de descobrir que a artista tem só 28 anos! "Mó novinha... Massa!" rs) <- fonte: entrevista no site do IESB - http://www.iesb.br/grad/jornalismo/na_pratica/noticias_detalhes.asp?id_artigo=341#
Enfim, a idéia era aliarmos aquela imagem + um elemento da natureza (ar, água, terra ou fogo) + o conceito de fluência - que foi previamente discutido, de forma rasa + o trabalho que havia sido feito no dia. Todos tivemos um tempinho para definir e "ensaiar" o solo para apresentar ao final da aula. As apresentações foram corridas por causa do tempo, mas tinha muita coisa bonita. Ah! Soraia chegou a ler antes a poesia "Fluência", que está na minha pesquisa do post anterior.
O meu mini-solo foi "da brisa ao furacão ao fim". Eu começava em posição fetal, movimentando apenas os pés, que faziam pressão no chão, fazendo com que eu girasse em torno do eixo no chão (em ciclos de 8 tempos), depois eu ia levantando e fazendo o movimento em 4 apoios, um pouco mais amplo (com ciclos de 4 tempos) . Depois já de pé, desenhando um círculo, e abrindo levemente os braços (com ciclos de 2 tempos). Eu deveria correr - para mostrar a evolução do movimento do lento ao rápido - o furacão em si, mas esqueci e fui direto para o final, que era uma queda em caracol, voltando à posição inicial e à mesma movimentação do início. Achei que esse retorno tem tudo a ver com a fluência, que é a fluência do ar, que é o que não foi fotografado ou pintado, mas, com certeza, é o que está mais presente naquela imagem. É o que, de certa forma, une a terra ao céu, quando não ha nada mais de material presente. Foi muito bacana fazer e ver os outros também.
Foi bom levar o tapetinho, minha garrafa d'água. Mas quero comprar um pano maior - uma canga ou algo parecido. E é bom deixar sempre um papel e uma caneta do lado para anotar as referências (rs).
É isso por hoje.
Pesquisa sobre Fluência - 25/03/2009
http://www2.uol.com.br/aprendiz/guiadeempregos/executivos/noticias/ge190805.htm (Site Aprendiz – Guia de Empregos):
Boa fluência verbal ajuda executivos
Falas claras e bem pontuadas, olhares atentos, gestos expressivos e muito autocontrole. Executivos estão em busca desse aperfeiçoamento em cursos de oratória, já que no mundo corporativo ter boa expressão verbal faz a diferença.
http://biblioteca.universia.net/ficha.do?id=33760230 (Site Universia – Biblioteca.net – Monografia “A Fluência em Tecnologia da Informação entre Estudantes de Administração”):
“O conceito de Fluência em Tecnologia da Informação surgiu devido a preocupações de áreas interdisciplinares em Políticas Públicas de Educação Superior quanto à Tecnologia da Informação (TI) e se refere à desenvoltura do ser humano no uso de recursos dessa tecnologia em um determinado contexto, pautando-se para esta conceituação no Commitee on Information Technology Literacy, órgão do Computer Science and Telecommunications Board (CSTB) da National Academy of Sciences norte-americana”.
(...)
“A denominação Fluência em Tecnologia da Informação foi proposta por Yasmin Kafai apud Commitee on Information Technology Literacy e definida como sendo a habilidade do indivíduo, que lhe permite saber reformular o conhecimento, expressar-se por meios tecnológicos, usando a tecnologia da informação de modo socialmente responsável, definição esta que terá alguns conteúdos discutidos ao longo do capítulo”.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Flu%C3%AAncia (Pesquisa no Wikipédia):
A fluência é capacidade que um metal têm de alterar o seu tamanho e sua resistência mecânica ao longo do tempo quando apenas sujeito à uma força constante e uma temperatura de 40% da sua temperatura de fusão. O estudo da fluência é importante nos cálculos de engenharia, para se projetar peças que resistam à uma alta força, como turbinas, pontes metálicas e gruas.
http://www.gagueira.org.br/fluencia.shtml (Site do Instituto Brasileiro de Fluência – “Gagueira levada a sério”)
O que a fluência tem a ver com andar, dirigir, concentrar-se e fazer cálculos? São todos exemplos de habilidades. A fluência também é uma habilidade, mas de um domínio muito específico: a linguagem. As habilidades apresentam duas características típicas:
São adquiridas pouco a pouco. Não é possível adquirir uma habilidade de uma hora para outra. É necessário praticar. E isso requer tempo. No caso específico da fluência, quer dizer que, para ser fluente, é necessário falar fluentemente muitas vezes. Desta forma, é possível compreender por que a fluência tende a se aprimorar com o passar do tempo, conforme a pessoa pratica: porque a habilidade é gradativamente reforçada.
As habilidades tendem a ser pouco flexíveis, ou seja, aprender uma determinada habilidade geralmente não facilita a aprendizagem de outra habilidade. No caso específico da fluência, quer dizer que ser fluente em uma conversação face a face não implica necessariamente ser fluente em conversações ao telefone ou em apresentações em público. Desta forma, é possível compreender por que algumas pessoas se queixam da dificuldade em ser fluente em algumas situações e não em outras. Apesar de haver semelhanças entre a fluência de diversas situações de fala, existem também diferenças, as quais precisam ser aprendidas caso a pessoa deseje um maior grau de fluência em uma determinada situação.
De forma geral, o desenvolvimento da habilidade de fluência implica o desenvolvimento de mecanismos de processamento automáticos e pouco conscientes. Isso quer dizer que quanto mais a pessoa for fluente, menos atenção precisa voltar à fala. A fluência simplesmente acontece, sem que a pessoa saiba explicar exatamente por que ou como consegue.
Aspectos da fala para avaliação dos componentes da fluência: hesitações ou disfluências; reformulações; pausas silenciosas fluentes; taxa de articulação (“velocidade da fala”); suavidade ou facilidade de emissão; habilidade gramatical; complexidade semântica.
*Texto de Sandra Merlo, fundadora do IBF, graduada em Fonoaudiologia pela USP, mestre e doutoranda em Linguística pela UNICAMP.
http://www.poesias.omelhordaweb.com.br/pagina_autor.php?cdPoesia=12039&cdEscritor=472&cdTipoPoesia=4&TipoPoesia=Amor (Poesia de Wilson de Oliveira Carvalho)
FLUÊNCIA
Como um turbilhão, os dias
que vivemos, acabaram destruindo
o que não soubemos construir,
assim, não adianta reclamar.
Imóveis como estátuas,
observamos que tudo aquilo
que era nosso, passa flutuando
diante de nós e de uma grande turba.
Se pelo menos fosse águas límpidas,
mas, nossos pertences passam de
roldão, todos enlameados.
Com tristeza, vejo alguns componentes
de nosso sentimento pedindo socorro, como
o amor, a amizade, a felicidade, a esperança,a paz,
todos abraçados sucumbem juntos.
Resta aguardar que a torrente
termine, para então sabermos
se não morremos também.
http://www.millarch.org/artigo/joffily-poesia-alem-do-cinema (abertura do livro de poesias “Fluência Muda”, de José Joffily Filho, roteirista e poeta paraibano):
"É sempre bom lembrar / que estou de pé / que tenho dois pés
e que colocar / um na frente do outro / não quer dizer que vou a lugar algum."
terça-feira, 24 de março de 2009
1ª aula - 24/03/2009
Atrasei-me um pouco, com isso perdi a apresentação da professora. Mas vamos ver se conseguimos encontrar alguma coisa sobre ela na internet.
Aqui está o CV da professora doutora (o CNPq e o sistema Currículo Lattes ajudaram-me nessa): http://lattes.cnpq.br/8082321073503343
O que interessa, em suma: "Soraia Maria Silva possui graduação em Dança pela Universidade Estadual de Campinas (1989), mestrado em Artes pela Universidade Estadual de Campinas (1994) e doutorado em Literatura pela Universidade de Brasília (2003). Atualmente é professora adjunta da Universidade de Brasília. Tem experiência na área de Artes, com ênfase em Coreografia, atuando principalmente nos seguintes temas: dança, literatura, arte e composição coreográfica".
Como eu estava já com a garganta muito inflamada, não pude falar muito de mim. Apenas deixei claro que nunca fui dado a esportes, mas desde pequeno gosto muito de andar.
Uma das primeiras coisas que Soraia falou foi sobre a Editora Perspectiva, por se tratar de uma editora que tem espaço para obras da área de Artes Cênicas, o que pude comprovar com a primeira visita ao site. Na primeira página, consta inclusive, um livro que a professora apresentou na sala de aula, "O Pós-Dramático", no qual constam ensaios dela mesma e do professor Fernando Villar. Além deste, foram citados dois livros de autoria da professora, que encontrei disponíveis no Submarino: Profetas em Movimento e Poemadançando: Gilka Machado e Eros Volusia.
A descrição do primeiro livro é bastante interessante: "Soraia Maria Silva descreve aqui o processo de construção de doze solos coreográficos do espetáculo de mesmo nome, desenvolvido a partir das famosas esculturas dos profetas bíblicos feitas por Aleijadinho, marco de excelência do Barroco mineiro. A concepção e os princípios estéticos adotados aproximam a dança de outras artes, como nos trabalhos de Noverre, Isadora Duncan e Pina Bausch, entre outros. Empregando as teorias de Rudolf Laban, a coreógrafa e bailarina desenvolveu uma metodologia de trabalho em que os profetas são personagens a serem moldados por meio do estudo de sua expressividade emocional. O componente barroco presente no pensamento de Laban (dualismo, oposições em movimento) e sua gramática do movimento expressivo são a via de comunicação entre os universos da escultura e da dança".
Um dos colegas - Daniel, se não me engano - mencionou que estava acumulando material sobre danças dos orixás para um possível trabalho futuro (projeto PIBIC) e a professora ressaltou que o IdA precisa de pesquisadores - conselho que devo avaliar com carinho e uma boa dose de racionalidade.
Foi apresentado o programa da disciplina - entregue impresso -, junto com os instrumentos de avaliação e também foram dadas algumas instruções para um bom aproveitamento.
O conteúdo se divide em 3 chaves: Estudo do Corpo, Estudo do Movimento e Estudo da Expressividade. Retomamos alguns tópicos que foram vistos no semestre passado com Luciana Lara e falamos um pouco sobre conceitos da teoria de Laban: Corêutica, cinesfera (espaço vital que o corpo ocupa) e eucinética.
Quando falávamos de Laban, Rafael Scalia questionou a professora sobre seu conhecimento de Meyerhold - discípulo "dissidente" de Stanislavski. Soraia justificou não ter muito conhecimento ou interesse pela figura por ele estar mais relacionado ao teatro que à dança.
Falou-se ainda sobre eutonia - equilíbrio do tônus (tônus = tensão natural da musculatura) - tem a ver com o trabalho sobre as "couraças de Reich", que estudamos no semestre passado em Psicologia da Personalidade.
Uma última referência citada, foi o livro O Ator Compositor, de Matteo Bonfitto (Ed. Perspectiva). Encontrei até uma entrevista interessante, com o autor, à época do lançamento do livro, neste link: http://www.digestivocultural.com/colunistas/imprimir.asp?codigo=505.
Com relação à avaliação, temos três objetos fundamentais:
1) Apresentação individual do sistema, que eu não entendi muito bem, mas espero entender nas próximas aulas;
2) Espiral - em grupo ou individual - que deverá ser apresentada, obrigatoriamente, no Cometa Cenas;
3) Seminário, em grupo, sobre algum assunto tratado na bibliografia da disciplina, numa perspectiva teórico-prática. Os temas deverão ser escolhidos até 07/04 e as apresentações começam a partir de 28/04, sempre às terças-feiras.
*além destes, foi solicitado que ao final do período seja entregue um texto de até 3 páginas com uma espécie de "resumo" da disciplina para cada aluno; e tem também o diário de bordo que deverá ser feito por cada um. No meu caso, optei por fazer isso aqui, neste blog.
Recomendações:
a) adquiria uma bolinha de vinil para exercícios;
b) levar manta, toalha ou cobertor, para os exercícios no solo;
c) tolerância máxima de atraso: 15 minutos.
E para a próxima aula, Soraia disse que trataremos sobre FLUÊNCIA, e pediu para levarmos alguma coisa relacionado ao tema que possa contribuir. Eu pensei, naquele momento em rio - "o rio que flui, água corrente. Mas vamos ver no que isso vai dar.
Por hoje é só.